Dom Julio escreve sobre “Campanha “Sem Sacramento, Sem Dízimo”.Leia aqui!

Campanha “Sem Sacramento, Sem Dízimo

 

Uma campanha está sendo divulgada nestes tempos de suspensão das celebrações comunitárias presenciais: “Campanha Católica: Sem Sacramento – Sem Dízimo. Se não temos direito de receber os sacramentos, também não temos direito de dar o dízimo”.

 

Além de algumas mentiras contidas no próprio texto causa repulsa a mentalidade sobre a qual ela se funda: sem sacramento – sem dízimo! Quem propõe e quem participa dessa campanha acusa a Igreja Católica de ser unicamente motivada e movida por dinheiro. “Enquanto não doer no bolso, não ouvirão o grito do povo!” Seguindo nessa direção, o resultado será o da simonia: “Você quer o sacramento? Então pague o dízimo! A graça é difícil de ser alcançada? Então o dízimo deve ser mais alto”.

 

Não queremos esse tipo de dízimo! Aos que se renderam a essa lógica, não há outra resposta a não ser a dada pelo Apóstolo Pedro a Simão, o mago: “Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro o dom de Deus” (At 8,20). No fim das contas, esse dinheiro oferecido nem merece o nome de dízimo, pois ele ofende o ministro de Deus e sobretudo a Deus! Até a imagem com a qual se veicula essa campanha é ofensiva: ataca a sacralidade e a santidade dos sacramentos da Igreja!

 

Ninguém é obrigado a oferecer o dízimo para a Igreja. Ele não é um pagamento nem deve ser instrumentalizado para chantagear. Ao mesmo tempo, nenhum ministro de Deus pode oferecer os sacramentos ou a graça de Deus com fins comerciais. Essa Campanha nada católica induz o fiel a pensar o dízimo como moeda de troca e como meio para fazer pressão, e revela a mentalidade mesquinha de quem nada entendeu do Evangelho de Cristo e do testemunho das primeiras comunidades.

 

Como Arcebispo, tenho que suportar com caridade cristã muitos ataques, críticas e protestos. Acho isso normal e uma obrigação do encargo que me foi imposto. Por outro lado, tenho a obrigação de corrigir os erros e evitar que os fiéis se desviem do caminho da salvação. É por isso que sou obrigado, a contragosto, a alertar contra essa campanha: não podemos, não devemos, não queremos ceder ao pecado da simonia!

 

É minha obrigação chamar os pecadores à conversão, sem esquecer a necessidade de buscar a própria e de fazer penitência pelos pecados próprios e alheios. Se alguém não pode oferecer o dízimo não comete pecado e pode estar com a consciência serena e em paz. Outra coisa bem diversa é achacar a sua paróquia com o seu dinheiro!

 

Peço desculpas a tantos fiéis generosos que continuam se doando para o sustento da sua paróquia. É um encorajamento ao ministério sagrado e, ao mesmo tempo, uma advertência severa saber que o dinheiro dado à Igreja provenha da generosidade de quem assume como responsabilidade pessoal a manutenção do culto, do clero e da assistência aos pobres. Sei que vocês não merecem essa reprovação nem deveriam ser onerados com esta triste notícia. Espero que, ao menos, esse lamentável incidente sirva para a nossa purificação, nos motive a uma oração mais intensa e confiante na misericórdia do Senhor e contribua para a conversão dos que nos tentam com essa proposta sórdida.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

Últimos Posts

CURTA NOSSA PÁGINA NO INSTAGRAM

CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK