DE ONDE NASCE A ESPERANÇA? Leia aqui!

 

DE ONDE NASCE A ESPERANÇA?

 

Para esta pergunta convergem se relacionam muitas outras perguntas que apareceram neste período dramático que estamos vivendo (a pandemia do coronavírus).

Para falarmos da Esperança, é razoável partimos, não de teorias, ideias abstratas, mas de uma observação do nosso dia a dia.

O que posso esperar?

Não passa um dia, não passa uma hora em que não digamos: “Espero que aconteça esta coisa”, “espero que esta outra dê certo”, “espero que não aconteça esta outra”.

Nossa vida é permeada, plasmada, em todo o seu agir e empreender, por um olhar para o futuro: esperamos que ocorra um bem ou que não ocorra um mal.

Então, podemos afirmar que a esperança é de algum modo uma constante na nossa existência.

 

A espera e a esperança pertencem à estrutura humana. Elas fazem parte da nossa natureza de seres humanos. Esperamos, aguardamos, porque aguardar, esperar, constitui o nosso ser homem.

 

Qual é, nesse sentido, a diferença entre esperança e otimismo? De onde nasce a capacidade de esperar?

O otimismo é algo de temperamental e também passageiro. É uma disposição psicológica. Muda o tempo, chega um temporal e tudo acaba.

A razão é simples: a ele falta a consistência para poder resistir aos acontecimentos, não tem a possibilidade de resistir diante das contradições.

Assim, quando a dificuldade supera as nossas forças e o alcance das nossas tentativas, o otimismo vai para o espaço. 2

 

É o que todos nós vimos quando fomos postos contra a parede pela covid: tendo de fazer frente ao perigo ou, no melhor dos casos, tendo de ficar em casa, obrigados a inventar novas formas de viver as situações diárias, deve ter ficado claro se a nossa esperança era só um otimismo que passava sem deixar rastros, ou se tinha a capacidade de fazer-nos enfrentar com dignidade a dureza das circunstâncias.

Outra experiência que fazemos bastante é que, quando estamos numa situação de dificuldade que não conseguimos resolver, entramos numa espécie de stand by, esperando que passe com o tempo. Ficamos determinados pela expectativa de que essa dificuldade passe o mais rápido possível.

É possível vivermos com esperança, estado presentes a nós mesmos, também em momentos como estes?

 

De onde nasce a nossa capacidade de esperar?

 

A esperança precisa fundamentar-se numa razão. Temos ou não um ponto de apoio adequado para enfrentar com positividade o que nos acontece?

Se falta isso, podemos apenas esperar que a tormenta passe, não conseguimos ficar de pé diante das provocações que a realidade nos apresente, viramos a cara. E isso não só não resolve, mas agrava as dificuldades.

Imaginemos uma pessoa que, durante o tempo em que teve de ficar em casa, tenha vivido com o ânimo de quem só espera que tudo passe! Na espera do novo normal. Deve ter sido um belo esforço acordar de manhã e esperar que mais um dia, e mais outro dia, passasse!

Perdeu-se a ocasião para aprender a novidade que cada circunstância, como quer que seja, traz consigo. Para aproveitá-la, só é preciso uma abertura diante do que acontece.

Qual pode ser o ponto de apoio que nos permite esperar inclusive quando a realidade não corresponde ao que esperávamos? Como não deixar-nos enganar por falsas esperanças?

Aqui aparece a grande questão: cada um deve identificar por conta própria.

A esperança começa a manifestar-se quando ocorre algo no presente que torna possível um olhar diferente em relação ao futuro.

Ler carta do pai que aos cinquenta anos já não esperava nada de novo na vida.

“Eu não achava que à beira dos cinquenta anos fosse possível renascer. Vivi quarenta e sete anos certo de que Jesus Cristo não fosse uma “coisa” indispensável para mim. Por todos esses anos persegui objetivos que não resistiam ao impacto do tempo: a universidade, minha profissão, a família. Toda vez que alcançava o que havia prefixado 3

 

não me sentia satisfeito e ia constantemente em busca de novos objetivos. Por mais que para a maioria minha vida parecesse boa, eu tinha a sensação de alimentar-me de algo que não me saciava. Tudo isso produziu em mim uma crise profunda. Sentia-me inútil, e até a relação com os amigos, os colegas e as pessoas queridas foi ficando difícil. Queria ficar sozinho.

Um dia, no ambiente da escola de meus filhos, conheci uma pessoa que tinha olhos brilhantes. Ele também estava vivendo um momento difícil por causa de problemas do trabalho, mas me parecia tranquilo, seguro de si; em resumo, com letícia. […]. Eu não sabia o que lhe permitia viver assim. Nasceu uma forte amizade que me levava a desejar a companhia dele. Fomos passar férias juntos com nossas famílias, e minha curiosidade em relação a ele só crescia. Comecei a encontrar seus amigos, que depois viraram meus amigos. […]. Voltei a rezar, a ir à missa, a confessar-me. Às vezes eu me perguntava: “Por que faço isso?”, e me respondia: “Porque estou melhor”. Ainda hoje me surpreendo com essa amizade, cuja origem é o amor por Jesus Cristo. […] Quem me conhece há muito tempo, meus velhos amigos, meus parentes, meus colegas notaram em mim algo diferente. Talvez não seja a mesma luz que meu amigo tem nos olhos, mas creio que esporadicamente algum clarão apareça também nos meus olhos. Quero estar mais em contato com esse amigo para lembrar que Cristo é tudo”.

 

Assim, como na experiência relatada por essa pessoa, a esperança nasce quando vemos acontecer no presente algo que escancara o olhar. Só algo real e presente é que pode devolver a esperança, e não uma ideia ou uma abstração.

Pode ser que nada mude imediatamente, mas o importante é ver pessoas que enfrentam uma situação semelhante à nossa com uma novidade.

Mas não é uma presença qualquer. Porque uma pessoa qualquer não é capaz de fundamentar a esperança, de nos fazer andar de cabeça erguida perante todos os desafios da realidade.

Cada um dos nós deve se perguntar: “Será que eu encontrei uma presença assim?”

Os discípulos haviam deparado com uma presença – Jesus de Nazaré – em virtude da qual, quando estavam na vida normal ou no meio da tormenta, não esperavam simplesmente que passasse, trocando bons conselhos entre si, mas conseguiam enfrentar tudo, até a tormenta, de maneira diferente, mais verdadeira, mais humana.

Os discípulos depararam com uma Presença que introduziu na história uma esperança que não decepciona em qualquer situação em que a pessoa venha a estar.

Isto diz, então, que o problema da nossa esperança é a nossa fé. 4

 

Se não houver uma Presença que me ame tanto que, independentemente do que eu faça, independentemente do que aconteça, eu consigo olhar para o futuro com positividade indestrutível, graças à certeza dessa Presença, graças à experiência vivida na relação com ela, a esperança acaba por reduzir-se a uma palavra vazia.

 

Cristo, Deus feito homem, morto e ressuscitado, presente aqui e agora numa realidade humana, é a origem da nossa esperança. E Cristo é encontrado hoje.

Como dizia Bento XVI, os conceitos mais importantes da vida tornaram-se carne e sangue: “A verdadeira novidade do Novo testamento não reside em novas ideias, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos – um incrível realismo” (Deus caritas est, 12).

Então, precisamos não de valores abstratos, mas de pessoas que vivem, elas mesmas em primeiro lugar, uma esperança de um modo que nos fascina e desafia. Portanto, nenhuma abstração, mas algo real, que produz na história um sujeito novo.

Para finalizar retomemos à pergunta inicial: De onde nasce a experiência da Esperança? É uma coisa que nós temos de fazer ou é um dom que recebemos?

É um dom que recebemos. Mas é um dom que só podemos receber ao cruzarmos com alguém, não cai do céu. É um dom que pode ser visto, como o viram João e André, que o receberam ao encontrar um homem (cf. Jo 1, 35-39).

Somente presenças nas quais se enxerga “algo diferente”, que aconteceu na vida delas e que as gerou, são – haja o que houver – fator de esperança para nós. Mas apenas se estivermos disponíveis a nos deixarmos impressionar e atrair por elas, pelo que nelas corresponde o nosso desejo de realização.

 

“A esperança é uma certeza no futuro em virtude de uma realidade presente” (Dom Luigi Giussani).

 

Extraído do texto “Da Dove nasce la Speranza? “, diálogo com Pe. Julián Carrón, Presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, na edição especial do Meeting (20 de agosto de 2020). Apresentado por Bernhard Scholz, presidente da Fundação Meeting para a Amizade entre os Povos de Rimini, Itália (www.meetingrimini.org)

 

Material compilado por José Antonio Colombo

Conselho de Leigos da Arquidiocese de Sorocaba- 17/10/2020

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